Dados de estudos clínicos sugerem que quase um terço das mulheres com endometriose não respondem a esse tipo de medicação com alívio da cólica.

Um estudo realizado por Mishra et al. do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde Reprodutiva, Mumbai, Índia,   caracterizou as mudanças na expressão de receptores de hormônios esteróides (estrógeno e progesterona) nas células dos focos de endometriose, que  foram induzidos cirurgicamente em camundongos fêmeas.  Os autores encontraram uma proporção inadequada dos receptores de hormônios esteróides de acordo com o tipo de endometriose criada (leve ou profunda).

Os autores acreditam que a sensibilidade do tecido endometriótico aos hormônios esteróides pode ser individual explicando os diferentes resultados no uso de contraceptivos orais para o tratamento clínico da endometriose.

Uma questão comum entre  mulheres com endometriose utilizando contraceptivos hormonais, ou seja as pílulas, é se o uso prolongado dessas medicações para tratar clinicamente a endometriose pode afetar negativamente sua fertilidade no futuro.

Existem duas formas de utilizar as pílulas com objetivo de tratar endometriose, a forma contínua ou com pausa. Segundo estudos as duas formas tem eficácia semelhante embora a primeira opção seja a mais utilizada por eliminar o período menstrual, momento em que ocorrem as dores características da doença.

A preocupação entre as usuárias aumenta nesses casos pois há um entendimento de que não menstruando há maior interferência no funcionamento dos ciclos ovulatórios podendo causar maior dificuldade quando decidirem engravidar. Surge o receio de que quando pararem o uso das pílulas terão que esperar muito tempo para voltar a ovular.

 

Ao contrário do que se acredita, nas duas formas de uso não ocorre ovulação, e portanto, o uso contínuo, sem pausa, não tem maior impacto sobre o processo de ovulação.

 

Além disso, estudos mostram que o uso das pílulas não reduz a fertilidade. A taxa de gravidez é a mesma quando compararam mulheres que usaram pílulas por anos com mulheres que evitavam gravidez utilizando métodos de barreira.

 

Estudo publicado na revista “Nature Communications”, revelou que a endometriose e os miomas uterinos podem resultar de base genética semelhante. Os resultados sugerem que mulheres com endometriose têm maior probabilidade de desenvolver miomas.

Neste estudo foi realizada uma análise de associação ampla do genoma (também chamada de GWAS) para miomas, buscando procurar em todo o genoma regiões em que as variações estejam associadas a um aumento ou diminuição da probabilidade de uma doença específica.
Os pesquisadores notaram que regiões genômicas associadas ao diagnóstico de leiomiomas também tem associação com a endometriose, sugerindo que variantes genéticas que predispõem as pessoas à endometriose também podem predispor a miomas uterinos.

Outi Uimari, PhD, professor da Universidade de Oulu (Finlândia) e co-autor do estudo, espera que um estudo mais profundo dessas regiões genéticas possa identificar alvos prováveis de tratamento, preparando o caminho para terapias mais eficazes no tratamento das duas doenças.

Estudo realizado na França mostra maior risco de endometriose profunda em mulheres com enxaqueca

A relação entre endometriose e enxaqueca já foi demonstrada por diversos estudos nos últimos anos.

Porém, até o momento, nenhum havia checado se a associação dependia do estadiamento da endometriose. Hoje a classificação mais utilizada divide a doença em endometriose superficial, profunda e ovariana, quando há o endometrioma de ovário. O estudo mencionado observou pela primeira vez que em mulheres com enxaqueca há maior risco de apresentarem endometriose profunda e ovariana, mas não encontraram relação com endometriose superficial.

Os pesquisadores afirmam que a ação de uma proteína chamada MAPK influencia as duas doenças e pode explicar o achado do estudo. Além disso, as duas doenças sofrem ação impactante do hormônio ovariano estradiol, o que também parece conectar uma doença à outra.

O diagnóstico da endometriose ainda é considerado um grande desafio na medicina. No mundo inteiro as mulheres afetadas percorrem em média 7 anos desde os primeiros sintomas até que o diagnóstico seja estabelecido.

Na opinião do grupo francês, mulheres que sofrem de enxaqueca devem ser rastreadas quanto aos critérios para endometriose, o que talvez seja mais uma ferramenta a encurtar o tempo para o seu diagnóstico.